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Avós!

Mesmo não sendo dia dos avós, hoje apetecia-me ir visitar os meus, não fossem os 350 kms que nos separam…

A vida às vezes é assim, nem sempre fazemos as coisas que gostamos com a frequência que queremos. O meu avô Adelino (Paterno) e a minha avó Ângela (Materna) vivem em lares desde há alguns anos a esta parte e sempre que os visito volto com um misto de sentimentos que me deixa por um lado muito feliz por poder estar com eles mas ao mesmo tempo um pouco triste por sentir que estão a ficar mesmo muito velhinhos…

Como gostava de poder continuar ouvir histórias das suas vidas durante muitos mais anos com a lucidez que ambos têm aos 93 e aos 92 anos. Estão relativamente bem, apesar da avó ainda hoje não gostar muito da ideia de morar no lar e ter caído há coisa de um mês. Já o avô mal consegue ver devido às cataratas que já não são operáveis, apesar disso está sempre bem disposto, por ele está sempre tudo bem e toda a equipa do lar gosta dele. Ao contrário da avó após um mês de estadia já dizia: “Se eu soubesse que era assim, já tinha vindo antes!

Esta é a ideia que tenho em mente quando sentir que já não tenho capacidades para tratar de mim, dos meus e da minha casa… Assim eu lá chegue.

Gabriel Lopes

Venha a Conta!

Todos os dias ouço pessoas a queixarem-se da redução das reformas, da mobilidade especial, da nova lei de requalificação, dos cortes nas indemnizações por despedimento, do aumento da idade de reforma para os 66 anos, do aumento do horário de trabalho de 35h/semana para 40h/semana, da perda de poder de compra, etc… Sinceramente percebo os seus protestos, indignação, angústias e o sentimento de injustiça nos sacrifícios pedidos enquanto alguns continuam a usufruir de regalias principescas. Partilho as suas preocupações e estou 100% solidário com todas essas pessoas.

No entanto, estou muito mais preocupado com a minha geração, a geração que menos culpa teve no estado a que o país chegou, a geração que vai pagar a crise, a geração que só quer ter direito a ter um trabalho e que muito provavelmente não vai ter direito reformas, educação e saúde tendencialmente gratuitas, indemnizações por despedimento, subsídios de férias, subsídios de Natal, subsídios de paternidade, que vai trabalhar muito mais do que 40h/semanais, muito além dos 66 anos e sempre com a palavra desemprego a fazer parte das suas vidas muito mais vezes do que seria desejável.

Pertenço à geração dos que vão pagar a conta, sim porque por muito que custe as dívidas são para pagar. O que peço em troca? Justiça, Emprego, Esperança…

Gabriel Lopes