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Estágios…

Aí está um tema que na minha opinião prova como uma boa ideia em teoria pode ser muito mal aplicada na prática.

Aquilo que segundo o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional deveria “promover a integração de jovens no mercado de trabalho ou a reconversão profissional de desempregados” não passa de uma medida que dá aos jovens e aos desempregados meras migalhas (por muito que estas lhe façam faltam e sejam por vezes o seu único meio de subsistência) e permite que entidades empregadoras tenham trabalhadores qualificados com um custo insignificante.

Ah e tal mas assim o estado promove o emprego que demoraria mais tempo a ser criado ajudando empregadores e trabalhadores que procuram uma oportunidade… Tretas!!!

Na minha maneira de ver as coisas são criados os seguintes tipos de empregos:

  • Empregos Rodízio com as entidades empregadoras a descartarem os estagiários no final e incorporando de imediato novo estagiário para continuarem a ter trabalho praticamente gratuito até ao momento em que teriam de inserir um deles no quadro.
  • Empregos Ampulheta em que os jovens/desempregados sabem que não vão passar dos 6/9/12 meses e em que as funções que desempenham muitas vezes não correspondem às suas qualificações/competências.
  • Empregos Fictícios que não sendo necessário às entidades empregadoras acabam por o ser dado o baixo custo que acabam para ter para estas. Isto apenas retira valor ao trabalho e desmotiva quem realmente procura um emprego a sério.
  • Empregos A Sério que seriam justamente remunerados sem estas medidas mas não o são.

Diria que existe a noção generalizada da deturpação deste conceito e da má aplicação de recursos, no entanto, penso que o mais gritante é o silêncio que decorre da dependência que existe desta e de outras medidas que deveriam ajudar a criar emprego e oportunidades mas que acabam por ter um efeito analgésico e inibidor na criação de emprego estável, qualificado e de longo prazo.

Gabriel Lopes

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Sabedoria Popular

Ou muito me engano ou António Costa vai acabar por apreender na primeira pessoa um velho ditado popular que diz que “Quem com cães se deita, com pulgas se levanta…” ou para os mais sensíveis “Quem se deita com miúdos, acorda molhado…

De uma forma ou de outra cá continuarei a assistir serenamente e obviamente a pagar a conta.

Haja Saúde.

Gabriel Lopes

Aguiar da Beira – Democracia Local

A sete semanas das próximas eleições autárquicas e enquanto a campanha eleitoral não entra na recta final, achei interessante consultar o histórico dos resultados autárquicos do Concelho nos últimos 30 anos. Aproveitei para reunir esta informação num ficheiro excel que aqui partilho.

Da análise destes dados foi possível observar algumas curiosidades:

  • A Câmara Municipal foi sempre ganha por partidos de Direita (CDS e PSD);
  • Desde 1997 que o CDS-PP não vence qualquer Junta de Freguesia;
  • Os anos em que o PS ganhou mais Juntas de Freguesia foram 2005 (Cortiçada e Forninhos) e 2009 (Cortiçada e Eirado);
  • Valverde foi a freguesia onde mais vezes se apresentou apenas uma lista à Junta de Freguesia (1982, 1985 e 2009);
  • Valverde é a única freguesia que elegeu sempre candidatos do mesmo partido (PSD);
  • O melhor resultado eleitoral do PCP-PEV foi obtido em 2001 na Freguesia de Gradiz (19,4% dos Votos);
  • Listas Independentes foram eleitas apenas em duas Juntas de Freguesia: Aguiar da Beira e Eirado (2001);
  • A Vitória mais Renhida foi obtida pelo PSD em 1993 na freguesia de Carapito com apenas mais 1 voto que o PS;

No que toca às próximas eleições são de realçar alguns factos que vão apimentar politicamente o Concelho nas próximas semanas tanto na disputa para a Câmara Municipal como para as várias Juntas de Freguesia.

Em primeiro lugar, estas vão ser as primeiras eleições marcadas pela nova lei de limitação de mandatos que impede a recandidatura de vários Presidentes de Junta e do Presidente da Câmara Municipal. Assim, ao nível da Câmara Municipal o principal motivo de interesse é saber quem sucederá ao Presidente cessante (Fernando Andrade) ao fim de 16 anos, Fernando Pires (PPD/PSD) ou Joaquim Bonifácio (Independente). Já ao nível das Juntas de Freguesias uma das principais curiosidades prende-se com o facto destas serem as primeiras eleições autárquicas após a reforma levada a cabo pelo actual governo e que vão eleger pela primeira vez Presidentes de Junta nas freguesias agregadas Aguiar da Beira-Coruche, Sequeiros-Gradiz e Soito-Valverde.

São ingredientes mais que suficientes para uma corrida eleitoral muito disputada e em que a palavra final será dada aos eleitores do concelho no próximo dia 29 de Setembro.

Ficheiro Excel disponível em: https://gabrielfigueiredolopes.wordpress.com/agb-democracia-local.xlsx

Gabriel Lopes

Venha a Conta!

Todos os dias ouço pessoas a queixarem-se da redução das reformas, da mobilidade especial, da nova lei de requalificação, dos cortes nas indemnizações por despedimento, do aumento da idade de reforma para os 66 anos, do aumento do horário de trabalho de 35h/semana para 40h/semana, da perda de poder de compra, etc… Sinceramente percebo os seus protestos, indignação, angústias e o sentimento de injustiça nos sacrifícios pedidos enquanto alguns continuam a usufruir de regalias principescas. Partilho as suas preocupações e estou 100% solidário com todas essas pessoas.

No entanto, estou muito mais preocupado com a minha geração, a geração que menos culpa teve no estado a que o país chegou, a geração que vai pagar a crise, a geração que só quer ter direito a ter um trabalho e que muito provavelmente não vai ter direito reformas, educação e saúde tendencialmente gratuitas, indemnizações por despedimento, subsídios de férias, subsídios de Natal, subsídios de paternidade, que vai trabalhar muito mais do que 40h/semanais, muito além dos 66 anos e sempre com a palavra desemprego a fazer parte das suas vidas muito mais vezes do que seria desejável.

Pertenço à geração dos que vão pagar a conta, sim porque por muito que custe as dívidas são para pagar. O que peço em troca? Justiça, Emprego, Esperança…

Gabriel Lopes

Horários Zeros

Ora aqui está uma questão que nunca consegui perceber: Os Horários Zero.

Vejamos o que acontece neste País:

  • O sistema de educação tem défice de professores? Sim. Então contratam-se professores.
  • O sistema de educação tem excesso de professores? Sim. Então mantêm-se os professores.

A gerir assim é óbvio que o dinheiro não chega aonde realmente faz falta e a quem mais precisa, e refiro-me aos alunos mais carenciados, com mais dificuldades, com necessidades especiais, etc…
A isto junta-se um sistema de avaliação completamente obsoleto e desadequado que muitas vezes mantém maus professores a leccionara por serem efectivos impedindo outros professores com mais aptidão e capacidades de leccionar e contribuir para um aumento de qualidade do ensino e dos alunos que formam.

A escola é fundamental no desenvolvimento de um país, se queremos melhores resultados temos de ter os melhores a gerir, a leccionar e a governar!

Gabriel Lopes

De Pressão Alta

Acho curiosa a polémica que tem tido lugar cativo nos noticiários dos últimos dias: A suposta pressão do Ministro Miguel Relvas sobre uma jornalista do Jornal Público.

Analisando a questão à luz do conceito de pressão adquirido nas aulas de física em que a Pressão é a Força por unidade de Área, podem levantar-se algumas questões curiosas:

  • Quantos Pascais exerceu o Sr Ministro Miguel Relvas sobre a Jornalista do Público?
  • Será que o Ministro Miguel Relvas tinha muita força ou a Sra. Jornalista é que tinha área a menos?
  • Será que o Ministro Miguel Relvas bateu o record de pressão sobre um jornalista detido pelo Sr. Sócrates no caso Mário Crespo?
  • Será que com esta confusão toda o Pascal ficou aborrecido com o Ministro Miguel Relvas?

Parece que estou a ver os Senhores Deputados naquelas sessões infindáveis de inquérito a fazer perguntas deste nível e em que provavelmente a culpa vai recair sobre o senhor Belmiro de Azevedo por numa altura em que todos os anúncios de emprego requerem que os candidatos tenham boas capacidades de trabalho sob pressão, ele se ter esquecido desse requisito essencial no anuncio que deu origem à contratação da dita Sra. Jornalista para o Público.

Assim vai o debate político em Portugal…

Gabriel Lopes

A Geração Mais Qualificada de Sempre?

Esta é a geração mais qualificada de sempre!

Eis uma afirmação recorrentemente levantada por alguns sectores políticos me faz alguma espécie!!! Não ponho em causa que seja de facto a geração mais qualificada que o País já teve mas… Qualificada onde? Como? Em Que?

Sendo parte integrante desta geração, sinto-me completamente à vontade para abordar o assunto e sei que depois de todos sonhos criados ao longo do percurso académico chega a hora de entrar na realidade do mercado de trabalho e muitas vezes só nesta fase as pessoas percebem que foram iludidas e mal orientadas! De quem é a culpa?

  • Dos Governos, mais preocupados em que o País subisse nos rankings do número de licenciados por habitante do que em atender às reais necessidades laborais do País;
  • Na proliferação das faculdades de vão de escada por todo o país, com cursos pra todos os gostos, com notas de entrada baixíssimas e com um nível de exigência ainda menor. Tudo isto em áreas que o País pura e simplesmente não precisa ou já não absorve por excesso de oferta;
  • Dos Governos que não regularam o número de vagas nas várias áreas de graduação não aumentando o número de vagas em áreas deficitárias e não reajustando o número de vagas em áreas excedentárias;
  • Dos Governos que não dotaram o ensino secundário de cursos técnicos atractivos e dos quais a sociedade necessita;
  • Do crescente facilitismo introduzido no sistema de ensino a todos os níveis, especialmente no básico e secundário. Reprovar um aluno por falta de aproveitamento escolar é cada vez mais difícil e burocrático. O importante é ter boas taxas de aprovação mesmo que para isso se aprovem alunos com baixo rendimento escolar e não se premeie o esforço, o trabalho e o mérito dos que realmente se esforçam e atingem os objectivos;
  • Da constante retirada de autoridade aos professores;
  • Da crescente impunidade em relação a alunos desordeiros e perturbadores.

Sem dúvida que este modelo de educação/qualificação continuará a criar gerações de mão-de-obra mais qualificada que no passado mas é deste modelo e destas qualificações que realmente precisamos e ambicionamos para as gerações futuras? Se for, estamos no bom caminho, caso contrário há muita estrada para palmilhar!!!

Gabriel Lopes

Reforma Administrativa – Aguiar da Beira

Reforma Administrativa – Aguiar da Beira

A reforma administrativa foi um dos pontos que faz parte do acordo de entendimento assinado no passado mês de Maio de 2011 entre o Governo Português e a Troika (Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu). Esta reforma visa reduzir o número de freguesias das actuais 4.259 para cerca de metade.

No sentido de cumprir o prazo estabelecido para esta reforma administrativa (Junho de 2012), o Governo elaborou o Documento Verde da Reforma da Administrativa Local onde constam as linhas orientadoras a cumprir neste processo.

O Município de Aguiar da Beira terá também ele de se adaptar a estas novas regras e reformular a sua divisão administrativa ao nível das freguesias. São essas alterações que foco neste artigo.

Actualmente o Município de Aguiar da Beira é composto por 13 Freguesias numa área total de 206,9 km2. Entre 2001 e 2011 sofreu uma perda de população de 11.6%, passando dos 6.247 residentes para os 5.521, sendo a sua densidade populacional de 27 hab/km2.

De seguida pode ver-se a organização actual das 13 freguesias bem como a respectiva população residente:

De acordo com o Documento Verde o Concelho de Aguiar da Beira encontra-se no Nível 3 por ter uma densidade populacional inferior a 100 hab/km2. Estes requisitos encontram-se definidos na tabela seguinte:

 De Acordo com o 1º critério o conselho de Aguiar da Beira terá apenas uma freguesia sede de Município pois tem uma densidade populacional em 2011 de 27 hab/km2. Esta situação já se verifica pelo que neste ponto não haverá nenhuma mudança.

No 2º critério as freguesias de área maioritariamente urbana (AMU) deverão garantir um mínimo de 1.000 habitantes. A Freguesia de Aguiar da Beira é a única classificada como AMU e cumpre este requisito uma vez que em 2011 registava 1.475 habitantes. As restantes freguesias classificam-se como de área predominantemente rural (APR) pelo que deverão garantir um mínimo de 500 habitantes. Seguindo este critério apenas Penaverde (815 habitantes) e Dornelas (692 habitantes) garantiam a sua permanência como freguesia.

No entanto, dado que o município sofreu uma perda populacional superior a 10% entre 2001 e 2011, aplica-se o regime de coesão em que o mínimo exigido é de 300 habitantes nas freguesias APR. Por este regime Carapito (436 habitantes) e Cortiçada (339 habitantes) garantem também a sua permanência como freguesia.

Por último, existe ainda um 2º ponto no regime de coesão que salvaguarda a permanência de freguesias APR com um mínimo de 150 habitantes desde que estas estejam localizadas num raio superior a 15 quilómetros da sede de concelho. Este critério não se aplica a nenhuma das freguesias do conselho pelo que não será aplicado no caso de Aguiar da Beira.

Resumindo, Aguiar da Beira, Penaverde, Dornelas, Carapito e Cortiçada cumprem os requisitos apresentados no Documento Verde da Reforma da Administração Local. As restantes freguesias deverão ser reagrupadas entre si ou agregadas a outras que cumpriram os requisitos mínimos exigidos por esta reforma.

Tendo em conta a aplicação dos critérios referidos, a disposição geográfica das freguesias e respectiva população emerge uma vasta lista de cenários possíveis para o novo mapa de freguesias do concelho, no entanto os mais plausíveis parecem ser os seguintes:

Da análise destas 4 soluções podemos retirar algumas conclusões:

  • Forninhos será seguramente agregado a Dornelas;
  • Penaverde permanecerá intacta;
  • Carapito permanecerá inalterada ou poderá contar com a agregação do Eirado;
  • Pinheiro pela sua localização geográfica será agregado a Aguiar da Beira ou à Cortiçada;
  • Gradiz pela sua localização e população será muito provavelmente integrado em Aguiar da Beira.
  • O número final de freguesias do concelho deverá passar de 13 para 6.

As grandes questões levantam-se na zona central do Concelho com várias possibilidades. Surge assim a necessidade dum debate atempado e alargado a todos os cidadãos. A solução final poderá não agradar a todos mas será seguramente tanto melhor quanto maior for a participação de todos.

Gabriel Lopes

Obricracia

Infelizmente, sempre que vivemos em democracia veio à tona a nossa incapacidade de nos conseguirmos auto-governar, e de escolher pessoas capazes para o fazer.

O défice, o endividamento do país e o endividamento das famílias mais não são do que um atestado de incompetência ao cidadão comum. Esta incompetência à escala familiar reflecte-se à escala nacional onde abundam maioritariamente indivíduos com militâncias partidárias de longa data e resistentes das guerrilhas internas dos partidos pelos lugares elegíveis para qualquer coisa.

Neste meio, os indivíduos qualificados e competentes não vingam, pois percebem rapidamente que não têm grandes hipóteses nesta luta do vale tudo, preferindo ir tratar da sua vida noutros sectores! Os que persistem, são rapidamente encostados…

E lá temos nós esta gente à frente do país que nos devia governar mas que está mais preocupada em ser reeleito nem que para isso tenho que hipotecar o futuro do país até à 5ª geração!

As consequências disto? As consequências estão escritas no livro da história e são bem conhecidas de todos: uma ditadura militar seguida de 41 anos de estado novo ao fim de apenas 16 anos de Iª República e 3 intervenções do FMI em 37 anos de IIª República. É obra!!!

E pronto, lá somos nós obrigados a arrumar a casa à força, num regime que apelido de Obricracia! Aqui fazemos jus ao velho ditado “manda quem pode, obedece quem deve” e somos os mais esforçados a cumprir tudo o que nos é pedido a tempo e horas para conseguirmos manter a cabeça à tona e podermos continuar a ir ver jogar o Benfica.

Este parece ser sem dúvida o tipo de regime que melhor se adequa a Portugal e aos Portugueses…

Gabriel Lopes