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Estágios…

Aí está um tema que na minha opinião prova como uma boa ideia em teoria pode ser muito mal aplicada na prática.

Aquilo que segundo o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional deveria “promover a integração de jovens no mercado de trabalho ou a reconversão profissional de desempregados” não passa de uma medida que dá aos jovens e aos desempregados meras migalhas (por muito que estas lhe façam faltam e sejam por vezes o seu único meio de subsistência) e permite que entidades empregadoras tenham trabalhadores qualificados com um custo insignificante.

Ah e tal mas assim o estado promove o emprego que demoraria mais tempo a ser criado ajudando empregadores e trabalhadores que procuram uma oportunidade… Tretas!!!

Na minha maneira de ver as coisas são criados os seguintes tipos de empregos:

  • Empregos Rodízio com as entidades empregadoras a descartarem os estagiários no final e incorporando de imediato novo estagiário para continuarem a ter trabalho praticamente gratuito até ao momento em que teriam de inserir um deles no quadro.
  • Empregos Ampulheta em que os jovens/desempregados sabem que não vão passar dos 6/9/12 meses e em que as funções que desempenham muitas vezes não correspondem às suas qualificações/competências.
  • Empregos Fictícios que não sendo necessário às entidades empregadoras acabam por o ser dado o baixo custo que acabam para ter para estas. Isto apenas retira valor ao trabalho e desmotiva quem realmente procura um emprego a sério.
  • Empregos A Sério que seriam justamente remunerados sem estas medidas mas não o são.

Diria que existe a noção generalizada da deturpação deste conceito e da má aplicação de recursos, no entanto, penso que o mais gritante é o silêncio que decorre da dependência que existe desta e de outras medidas que deveriam ajudar a criar emprego e oportunidades mas que acabam por ter um efeito analgésico e inibidor na criação de emprego estável, qualificado e de longo prazo.

Gabriel Lopes

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Pequenos Grandes Pormenores

“São os Pequenos Pormenores que fazem a Mitsubishi Grande.”

Aqui está a atitude que falta a inúmeras empresas durante os seus  processos de recrutamento e que fazem com que quem procura trabalho se sinta um mero objecto aos olhos do mercado do trabalho.

A maioria das Empresas lançam as suas Ofertas de Emprego em portais de emprego descrevendo a oferta e o perfil do candidato ideal, enumerando os requisitos pretendidos, disponibilizando um e-mail onde os candidatos devem submeter os seus CV’s e definindo uma data limite para a submissão dos mesmos.

Este procedimento é mais ou menos linear a todas as empresas. A partir daqui começam as diferenças de atitude que vão desde a total falta de respeito pelos candidatos até ao trato dos candidatos com cortesia e fundamentalmente com o respeito que todos merecem. São pequenos pormenores que fazem a diferença e muitas vezes revelam muito sobre as pessoas responsáveis pelo processo de recrutamento, os recursos humanos ou até a integridade dessas empresas.

Felizmente ainda existem algumas empresas com uma conduta exemplar. Isso passa por:

  • Dar uma resposta aos candidatos quer eles sejam ou não seleccionados para fases seguintes;
  • Definir prazos para darem uma resposta aos candidatos;
  • Dar uma resposta a confirmar a recepção da candidatura (pode ser um e-mail pré-definido);
  • Pontualidade nas entrevistas;
  • Entrevistas conduzidas por pessoas preparadas e competentes;

Os maus exemplos passam essencialmente por:

  • Ofertas de trabalho fictícias;
  • Ofertas de trabalho que surgem às 2 da manhã e cujo o prazo de submissão de cv’s acaba nesse mesmo dia às 10 da manhã sem aviso prévio na oferta de emprego;
  • Ofertas de emprego que não discriminam todos os documentos necessários para uma correcta candidatura por parte do candidato, desqualificando-o mais tarde por falta de documentos;
  • Ausência de qualquer resposta após o anuncio da oferta de emprego;
  • Entrevistadores mal preparados a fazerem perguntas completamente desenquadradas e fora do âmbito do processo de recrutamento;
  • Entrevistas em que é dito ao candidato de forma orgulhosa que se trata de um estágio IEFP e que já é uma sorte ele estar ali durante aqueles 9 meses. Isto para não falar nas falsas promessas de continuidade após o fim do estágio, quando o objectivo é “mandar vir” mais meia dúzia de estagiários nessas condições;

Estou plenamente consciente que isto acontece porque a procura é n vezes superior à oferta e as empresas não precisam de fazer o mínimo esforço para fazer face às suas necessidades de mão de obra. O crescente aumento do desemprego não ajuda em nada, fazendo com cada vez mais as pessoas se sujeitem a estas situações por falta de alternativa. E não se antevêem melhorias nesta guerra… Agora uma coisa tenho a certeza: é nos pequenos pormenores que se vêm as grandes empresas!