Pequenas Grandes Diferenças…

Este fim de semana numa ida ao Pingo Doce reparei que a cor das embalagens do leite magro da marca própria desta insígnia não era exactamente a mesma apesar de estar nas mesmas prateleiras, ao mesmo preço e com a mesma identificação… Achei estranho e não tendo percebido a diferença comentei com a minha mulher. Sempre atenta aos mais pequenos detalhes no que toca à selecção dos produtos alimentares, explicou-me que a diferença estava na origem do leite.

Coloquei duas embalagens lado a lado e lá estava a indicação Pt numa e Fr na outra. Leite UHT Magro Pingo Doce 1 Litro produzido em Portugal (à esquerda) e Leite UHT Magro Pingo Doce 1 Litro produzido em França (à direita).

Leite Pt vs Fr

Aqui está mais uma prova de que podemos ajudar os produtores de leite nacionais e estimular a economia do nosso país sem que isso implique gastar mais ou mudar os hábitos de consumo.

Gabriel Lopes

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Galinhas Poedeiras

Eis que Portugal está prestes a sofrer mais um revés na sua luta pela recuperação económica. E logo numa das poucas áreas do sector agro-alimentar onde é auto suficiente e consegue exportar: o sector dos ovos.

Tudo passa pela directiva da União Europeia 1999/74/EC que entra em vigor em Julho e que tem como objectivo melhorar as condições de bem estar animal das galinhas poedeiras através da introdução de alterações no modo de produção e alojamento. Até aqui tudo muito bem, no entanto, estas alterações acarretam algumas consequências para o país, nomeadamente:

  • Elevados investimentos por parte dos produtores para adaptar as suas produções aos requisitos desta directiva;
  • Abandono do sector de inúmeros produtores devidos aos elevados investimentos e consequente quebra de produção (Estima-se que para Portugal esta quebra ronde os 40%);
  • Abate estimado de cerca de 1 Milhão de galinhas poedeiras em Portugal;
  • Aumento do custo do preço dos ovos;
  • Aumento das importações;

O problema não está nas exigências feitas aos produtores nacionais e europeus para garantir os direitos das galinhas mas sim na falta de protecção deste sector após a aplicação desta directiva! Não faz qualquer tipo de sentido que os produtores nacionais concorram directamente com países terceiros onde este tipo de exigências pura e simplesmente não existe. Neste caso, o sector afectado é o da produção de ovos mas existe uma infinidade de sectores onde este tipo de incoerências são gritantes! Isto para não falar na duvidosa garantia de respeito pelos direitos humanos e dos trabalhadores de muitos dos países de origem dos produtos…

Irritam-me profundamente este tipo de atitudes das Entidades Europeias em quererem ser mais papistas que o Papa! Não é que esteja contra directivas como estas, agora é preciso proteger os sectores abrangidos por estas exigências de mercados que não têm o mesmo tipo de regras de produção que o mercado nacional e europeu.

Infelizmente estas situações repetem-se em quase todos os sectores da economia e quem mais sofre são as empresas, os trabalhadores e a economia nacional.

Gabriel Lopes