Status

Estágios…

Aí está um tema que na minha opinião prova como uma boa ideia em teoria pode ser muito mal aplicada na prática.

Aquilo que segundo o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional deveria “promover a integração de jovens no mercado de trabalho ou a reconversão profissional de desempregados” não passa de uma medida que dá aos jovens e aos desempregados meras migalhas (por muito que estas lhe façam faltam e sejam por vezes o seu único meio de subsistência) e permite que entidades empregadoras tenham trabalhadores qualificados com um custo insignificante.

Ah e tal mas assim o estado promove o emprego que demoraria mais tempo a ser criado ajudando empregadores e trabalhadores que procuram uma oportunidade… Tretas!!!

Na minha maneira de ver as coisas são criados os seguintes tipos de empregos:

  • Empregos Rodízio com as entidades empregadoras a descartarem os estagiários no final e incorporando de imediato novo estagiário para continuarem a ter trabalho praticamente gratuito até ao momento em que teriam de inserir um deles no quadro.
  • Empregos Ampulheta em que os jovens/desempregados sabem que não vão passar dos 6/9/12 meses e em que as funções que desempenham muitas vezes não correspondem às suas qualificações/competências.
  • Empregos Fictícios que não sendo necessário às entidades empregadoras acabam por o ser dado o baixo custo que acabam para ter para estas. Isto apenas retira valor ao trabalho e desmotiva quem realmente procura um emprego a sério.
  • Empregos A Sério que seriam justamente remunerados sem estas medidas mas não o são.

Diria que existe a noção generalizada da deturpação deste conceito e da má aplicação de recursos, no entanto, penso que o mais gritante é o silêncio que decorre da dependência que existe desta e de outras medidas que deveriam ajudar a criar emprego e oportunidades mas que acabam por ter um efeito analgésico e inibidor na criação de emprego estável, qualificado e de longo prazo.

Gabriel Lopes

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À Mes Amis

“I grew up in the ’30s with an unemployed father. He didn’t riot. He got on his bike and looked for work, and he kept looking till he found it.” – Norman Tebbit

Quando o assunto de conversa é o Desemprego lembro-me desta citação porque acredito que é inspiradora e a atitude a seguir para tentar acabar com esta chaga social.

Esta dura realidade afecta milhares de portugueses e apesar dos indicadores mostrarem uma melhoria ténue no último ano, ainda estamos acima dos 15%.  Segundo dados do Eurostat, Portugal tem desde Março de 2009 uma taxa de desemprego acima de 10%.

É assustador ver familiares, amigos, vizinhos, etc passarem por esta realidade. A todos eles quero deixar uma palavra de esperança e coragem, não desistam e acreditem porque o esforço e a perseverança acabam sempre por dar os seus frutos.

No que eu puder ajudar, contem comigo!

Gabriel

Venha a Conta!

Todos os dias ouço pessoas a queixarem-se da redução das reformas, da mobilidade especial, da nova lei de requalificação, dos cortes nas indemnizações por despedimento, do aumento da idade de reforma para os 66 anos, do aumento do horário de trabalho de 35h/semana para 40h/semana, da perda de poder de compra, etc… Sinceramente percebo os seus protestos, indignação, angústias e o sentimento de injustiça nos sacrifícios pedidos enquanto alguns continuam a usufruir de regalias principescas. Partilho as suas preocupações e estou 100% solidário com todas essas pessoas.

No entanto, estou muito mais preocupado com a minha geração, a geração que menos culpa teve no estado a que o país chegou, a geração que vai pagar a crise, a geração que só quer ter direito a ter um trabalho e que muito provavelmente não vai ter direito reformas, educação e saúde tendencialmente gratuitas, indemnizações por despedimento, subsídios de férias, subsídios de Natal, subsídios de paternidade, que vai trabalhar muito mais do que 40h/semanais, muito além dos 66 anos e sempre com a palavra desemprego a fazer parte das suas vidas muito mais vezes do que seria desejável.

Pertenço à geração dos que vão pagar a conta, sim porque por muito que custe as dívidas são para pagar. O que peço em troca? Justiça, Emprego, Esperança…

Gabriel Lopes

Equidade?

Sinceramente há coisas que mexem com o meu sistema. Uma delas é a forma como se vai tirar de igual forma um dos subsídios em 2013 ao sector público e ao sector privado. Senão vejamos:

  • O desemprego aumentou drasticamente nos últimos anos;
  • O Governo corta os Subsídios de Férias e Natal na função pública;
  • O Tribunal de Contas diz que a medida é inconstitucional por uma questão de equidade entre o sector público e sector privado;
  • O Governo prepara-se para cortar um dos Subsídios a toda a gente.

Tendo em conta apenas estes factos, até parece que existe um tratamento privilegiado do sector privado.
No entanto, se a isto juntarmos o facto de:

  • O aumento do desemprego se ter feito sentir fundamentalmente no sector privado;
  • Não haver despedimentos na função pública, salvo raras excepções;
  • Os ordenados no sector privado serem inferiores aos do sector público;

Alguém me consegue explicar onde está a Equidade???

Gabriel Lopes

Pequenos Grandes Pormenores

“São os Pequenos Pormenores que fazem a Mitsubishi Grande.”

Aqui está a atitude que falta a inúmeras empresas durante os seus  processos de recrutamento e que fazem com que quem procura trabalho se sinta um mero objecto aos olhos do mercado do trabalho.

A maioria das Empresas lançam as suas Ofertas de Emprego em portais de emprego descrevendo a oferta e o perfil do candidato ideal, enumerando os requisitos pretendidos, disponibilizando um e-mail onde os candidatos devem submeter os seus CV’s e definindo uma data limite para a submissão dos mesmos.

Este procedimento é mais ou menos linear a todas as empresas. A partir daqui começam as diferenças de atitude que vão desde a total falta de respeito pelos candidatos até ao trato dos candidatos com cortesia e fundamentalmente com o respeito que todos merecem. São pequenos pormenores que fazem a diferença e muitas vezes revelam muito sobre as pessoas responsáveis pelo processo de recrutamento, os recursos humanos ou até a integridade dessas empresas.

Felizmente ainda existem algumas empresas com uma conduta exemplar. Isso passa por:

  • Dar uma resposta aos candidatos quer eles sejam ou não seleccionados para fases seguintes;
  • Definir prazos para darem uma resposta aos candidatos;
  • Dar uma resposta a confirmar a recepção da candidatura (pode ser um e-mail pré-definido);
  • Pontualidade nas entrevistas;
  • Entrevistas conduzidas por pessoas preparadas e competentes;

Os maus exemplos passam essencialmente por:

  • Ofertas de trabalho fictícias;
  • Ofertas de trabalho que surgem às 2 da manhã e cujo o prazo de submissão de cv’s acaba nesse mesmo dia às 10 da manhã sem aviso prévio na oferta de emprego;
  • Ofertas de emprego que não discriminam todos os documentos necessários para uma correcta candidatura por parte do candidato, desqualificando-o mais tarde por falta de documentos;
  • Ausência de qualquer resposta após o anuncio da oferta de emprego;
  • Entrevistadores mal preparados a fazerem perguntas completamente desenquadradas e fora do âmbito do processo de recrutamento;
  • Entrevistas em que é dito ao candidato de forma orgulhosa que se trata de um estágio IEFP e que já é uma sorte ele estar ali durante aqueles 9 meses. Isto para não falar nas falsas promessas de continuidade após o fim do estágio, quando o objectivo é “mandar vir” mais meia dúzia de estagiários nessas condições;

Estou plenamente consciente que isto acontece porque a procura é n vezes superior à oferta e as empresas não precisam de fazer o mínimo esforço para fazer face às suas necessidades de mão de obra. O crescente aumento do desemprego não ajuda em nada, fazendo com cada vez mais as pessoas se sujeitem a estas situações por falta de alternativa. E não se antevêem melhorias nesta guerra… Agora uma coisa tenho a certeza: é nos pequenos pormenores que se vêm as grandes empresas!

Emigração

A Emigração foi no passado uma solução para milhares de portugueses para ultrapassar a falta de emprego e as débeis condições de vida que o nosso país lhes oferecia. Desde há uns anos a esta parte volta a apresentar-se como uma forte alternativa ao desemprego e à crise.

Os destinos voltam a repetir-se (França, Suíça, Alemanha) mas os emigrantes escolhem também novos destinos como Angola e Brasil. Continuam a ser maioritariamente jovens (24 a 35 anos), mas ao contrário do que aconteceu nas décadas de 60 e 70, possuem qualificações académicas mais elevadas, havendo uma percentagem considerável de licenciados.

Tendo os meus pais, grande parte da minha família e em geral muitos portugueses sido emigrantes, revolta-me assistir à forma como alguns dirigentes políticos/sindicais usam o tema da emigração como arma de politiquice…

O governo sugere-a como alternativa enquanto o país estiver em crise/fase de recuperação, a oposição e os sindicatos criticam o governo por a sugerir como alternativa.

Se é certo que compete ao Estado assegurar o direito ao trabalho, promovendo a execução de políticas de pleno emprego (Constituição da República Portuguesa – Capítulo I, Artigo nº58), também não me parece racional que a oposição e os sindicatos prefiram ter os Portugueses no desemprego em Portugal, do que empregados no estrangeiro.

O ideal seria todos terem um emprego de acordo com a sua vocação e ajustado às suas qualificações académicas junto do local onde cresceram ou vivem, mas a verdade é que actualmente este cenário está muito longe de ser realidade.

Portugal faz hoje parte da União Europeia com direitos de permanência e trabalho iguais para todos os cidadãos europeus. Faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com os quais mantém relações privilegiadas de cooperação e onde existem muitas oportunidades de emprego qualificado, tendo a língua como principal elo de ligação.

Além disso, as dificuldades e distância ao país de origem são hoje em dia mínimas quando comparadas com as das décadas de 60/70, devido a uma série de factores que melhoraram significativamente:

  • Formação: vários níveis de línguas na escola (Inglês, Francês);
  • Transportes: voos low-cost, rede de autoestradas ampla e abrangente;
  • TV e Telefone: grande abrangência dos canais nacionais de TV internacionais, custos de telefone reduzidos;
  • Novas Tecnologias: existência de várias plataformas de contacto (voz e imagem) na Internet como o skype, messenger e facebook.

Todos estes factores fazem com que hoje em dia seja mais fácil emigrar do que nas décadas de 60/70 vir da província para Lisboa. O não saber ao certo onde ficava o país para onde se vai trabalhar, as idas ilegais, a perda de dias inteiros em viagem, os transportes desconfortáveis, o desconhecimento completo da língua do país de destino, as horas perdidas nos postos fronteiriços em fiscalizações alfandegarias, os regressos a casa apenas uma vez por ano, o ver a família apenas por fotografia e um sem fim de outros constrangimentos são coisas do passado.

Emigrar contínua a não ser fácil, mas é sem dúvida cada vez mais uma alternativa num mundo globalizado!

Não sou nem Ateniense, nem Grego, mas sim um cidadão do Mundo” – Sócrates (469-399 a.c.)

Gabriel Lopes