Status

Participação Democrática

Grande parte dos nossos problemas enquanto País têm origem no facto da nossa Participação Democrática como Povo ser uma mediocridade assustadora. Basta ver alguns aspectos básicos:

  • Não vamos votar;
  • Não oferecemos alternativas;
  • Não sabemos as regras básicas do funcionamento da democracia;
  • Compactuamos diariamente com “jeitinhos”, “cunhas” e “esquemas”;
  • Deixa-mo-nos enganar repetidamente;
  • Achamos que só temos direitos e não temos deveres;

“Ah e tal isso é muito genérico”. Pois bem, concretizando:

  • Que fazemos nós quando vamos a 160Km/Hora na autoestrada e somos multados?
  • Que fazemos nós quando vemos médicos a darem consultas no privado no horário em que deviam estar ao serviço do SNS?
  • O que fazemos nós quando sabemos de professores universitários que usam bolsas da FCT para financiar trabalhos para as suas empresas?
  • O que fazemos nós quando alguém diz que vai votar no Político X para primeiro ministro?
  • O que fazemos nós quando o gestor público usa o poder para dar trabalho às empresas de amigos para depois tirar partido pessoal desses favorecimentos?
  • Que fazemos nós quando o varredor da rua do nosso município passa o meio dia sem estar a fazer o que realmente lhe compete?
  • O que fazemos nós quando não pedimos factura em todo o lado?
  • O que fazemos nós em dias de eleições com 35º C?

Nas respostas a estas e outra questões entra novamente o “ah e tal”… e é aqui que “fechamos os olhos”!!! Aqui a culpa é sempre dos outros, afinal é mais fácil por a culpa em alguém e dizer mal do que dar o corpinho ao manifesto e fazer o que deve ser feito…

Enfim… Enquanto cada um de nós não fizer o esforço para que no conjunto sejamos melhores, mais informados, mais participativos, mais exigentes, mais justos, vamos continuar a ser medíocres enquanto Povo e País.

Gabriel Lopes

 

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Venha a Conta!

Todos os dias ouço pessoas a queixarem-se da redução das reformas, da mobilidade especial, da nova lei de requalificação, dos cortes nas indemnizações por despedimento, do aumento da idade de reforma para os 66 anos, do aumento do horário de trabalho de 35h/semana para 40h/semana, da perda de poder de compra, etc… Sinceramente percebo os seus protestos, indignação, angústias e o sentimento de injustiça nos sacrifícios pedidos enquanto alguns continuam a usufruir de regalias principescas. Partilho as suas preocupações e estou 100% solidário com todas essas pessoas.

No entanto, estou muito mais preocupado com a minha geração, a geração que menos culpa teve no estado a que o país chegou, a geração que vai pagar a crise, a geração que só quer ter direito a ter um trabalho e que muito provavelmente não vai ter direito reformas, educação e saúde tendencialmente gratuitas, indemnizações por despedimento, subsídios de férias, subsídios de Natal, subsídios de paternidade, que vai trabalhar muito mais do que 40h/semanais, muito além dos 66 anos e sempre com a palavra desemprego a fazer parte das suas vidas muito mais vezes do que seria desejável.

Pertenço à geração dos que vão pagar a conta, sim porque por muito que custe as dívidas são para pagar. O que peço em troca? Justiça, Emprego, Esperança…

Gabriel Lopes

Crise, Greves e Sindicatos…

Já não basta sermos bombardeados diariamente com notícias sobre crise, FMI, raitings, défice e outros que tais, ainda temos as notícias sobre sindicatos!!!

Numa altura de sacrifícios em que todos somos chamados a dar o nosso melhor na recuperação do país, os sindicatos só pensam em greves…

Não desprezo a sua importância e muito menos o direito à greve, mas a sua instrumentalização politica é de tal ordem que cega completamente os seus dirigentes e desvirtua totalmente a sua verdadeira missão! A insistência em Greves Gerais que toda a gente já percebeu que nada resolvem e só atrapalham quem quer trabalhar e a quem o dinheiro faz falta no final do mês é um absurdo!

Mas pronto, aí vem mais uma Greve Geral dia 22 de Março convocada pela CGTP.

Haja paciência!!!

Gabriel Lopes

Emigração

A Emigração foi no passado uma solução para milhares de portugueses para ultrapassar a falta de emprego e as débeis condições de vida que o nosso país lhes oferecia. Desde há uns anos a esta parte volta a apresentar-se como uma forte alternativa ao desemprego e à crise.

Os destinos voltam a repetir-se (França, Suíça, Alemanha) mas os emigrantes escolhem também novos destinos como Angola e Brasil. Continuam a ser maioritariamente jovens (24 a 35 anos), mas ao contrário do que aconteceu nas décadas de 60 e 70, possuem qualificações académicas mais elevadas, havendo uma percentagem considerável de licenciados.

Tendo os meus pais, grande parte da minha família e em geral muitos portugueses sido emigrantes, revolta-me assistir à forma como alguns dirigentes políticos/sindicais usam o tema da emigração como arma de politiquice…

O governo sugere-a como alternativa enquanto o país estiver em crise/fase de recuperação, a oposição e os sindicatos criticam o governo por a sugerir como alternativa.

Se é certo que compete ao Estado assegurar o direito ao trabalho, promovendo a execução de políticas de pleno emprego (Constituição da República Portuguesa – Capítulo I, Artigo nº58), também não me parece racional que a oposição e os sindicatos prefiram ter os Portugueses no desemprego em Portugal, do que empregados no estrangeiro.

O ideal seria todos terem um emprego de acordo com a sua vocação e ajustado às suas qualificações académicas junto do local onde cresceram ou vivem, mas a verdade é que actualmente este cenário está muito longe de ser realidade.

Portugal faz hoje parte da União Europeia com direitos de permanência e trabalho iguais para todos os cidadãos europeus. Faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com os quais mantém relações privilegiadas de cooperação e onde existem muitas oportunidades de emprego qualificado, tendo a língua como principal elo de ligação.

Além disso, as dificuldades e distância ao país de origem são hoje em dia mínimas quando comparadas com as das décadas de 60/70, devido a uma série de factores que melhoraram significativamente:

  • Formação: vários níveis de línguas na escola (Inglês, Francês);
  • Transportes: voos low-cost, rede de autoestradas ampla e abrangente;
  • TV e Telefone: grande abrangência dos canais nacionais de TV internacionais, custos de telefone reduzidos;
  • Novas Tecnologias: existência de várias plataformas de contacto (voz e imagem) na Internet como o skype, messenger e facebook.

Todos estes factores fazem com que hoje em dia seja mais fácil emigrar do que nas décadas de 60/70 vir da província para Lisboa. O não saber ao certo onde ficava o país para onde se vai trabalhar, as idas ilegais, a perda de dias inteiros em viagem, os transportes desconfortáveis, o desconhecimento completo da língua do país de destino, as horas perdidas nos postos fronteiriços em fiscalizações alfandegarias, os regressos a casa apenas uma vez por ano, o ver a família apenas por fotografia e um sem fim de outros constrangimentos são coisas do passado.

Emigrar contínua a não ser fácil, mas é sem dúvida cada vez mais uma alternativa num mundo globalizado!

Não sou nem Ateniense, nem Grego, mas sim um cidadão do Mundo” – Sócrates (469-399 a.c.)

Gabriel Lopes

Finanças Pessoais

A crise actual introduziu sem dúvida muitas restrições ao orçamento das famílias portuguesas…

Na minha opinião, excluindo casos de doença e desemprego, o planeamento anual e mensal é a melhor arma que as famílias têm para vencer as dificuldades financeiras.

Um bom planeamento anual dos rendimentos e das despesas permite alocar recursos dos meses em que temos rendimentos extra (subsidio de férias, subsidio de Natal, devolução do IRS, …) ou em que parte do Salário não é usada, para os meses de maior despesas ou em que temos despesas adicionais (seguro do carro, livros escolares dos filhos, …).

O ideal será planear todo o ano de modo a conseguir chegar ao final do ano com alguma folga. Esta folga poderá servir como segurança em caso de emergência, como poupança, para investimentos ou até para fazer uma viagem. Nos casos em que as despesas anuais ultrapassam os rendimentos é necessário rever com maior cuidado todo o planeamento identificando despesas acessórias (Férias, compras de Natal, telemóvel, refeições fora de casa, compra de produtos de marca,..) até que se atinja um saldo positivo.

Quem vai para o Algarve de Férias em Agosto, tem que ter a certeza que esse dinheiro não lhe vai fazer falta para os livros dos filhos em Setembro ou para a conta do gás em Dezembro.

Após um planeamento anual adequado o planeamento mensal é o passo seguinte. É fundamental definir no início do mês quanto vamos ter que despender com cada parcela: água, luz, gás, telefone, renda/prestação de casa, alimentação, gasolina, portagens, despesas extra definidas no planeamento anual, etc… e seguir à risca o estipulado no inicio do mês. É importante fazer check points várias ao longo do mês de modo a ir controlando os gastos. Manter um registo de todos os gastos é por isso essencial!!! Permite não só fazer melhores estimativas das nossas despesas, controlar os nossos gastos, saber onde gastamos o nosso dinheiro mas também localizar áreas onde gastamos demasiado ou onde podemos poupar em caso de maior aperto! Mantenho um registo deste género há mais de três anos e já me foi bastante útil por diversas vezes!

Estou convicto que se o planeamento anual e mensal forem bem feitos e cumpridos criteriosamente, frases como: “este mês está apertado”, “vai ter que ficar para o ano que vem” ou “é fim do mês” deixaram de se ouvir tão frequentemente! E é claro que se o assunto for discutido abertamente em casa entre todos os membros da família ou na escola com a inserção duma disciplina/complemento de finanças pessoais nos conteúdos programáticos, por exemplo, todos estariam mais sensibilizados para este assunto. Afinal de contas nem todos serão professores, médicos ou juízes, mas todos serão cidadãos que terão de viver e gerir as suas finanças pessoais com recursos limitados.

Gabriel Lopes