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Avós!

Mesmo não sendo dia dos avós, hoje apetecia-me ir visitar os meus, não fossem os 350 kms que nos separam…

A vida às vezes é assim, nem sempre fazemos as coisas que gostamos com a frequência que queremos. O meu avô Adelino (Paterno) e a minha avó Ângela (Materna) vivem em lares desde há alguns anos a esta parte e sempre que os visito volto com um misto de sentimentos que me deixa por um lado muito feliz por poder estar com eles mas ao mesmo tempo um pouco triste por sentir que estão a ficar mesmo muito velhinhos…

Como gostava de poder continuar ouvir histórias das suas vidas durante muitos mais anos com a lucidez que ambos têm aos 93 e aos 92 anos. Estão relativamente bem, apesar da avó ainda hoje não gostar muito da ideia de morar no lar e ter caído há coisa de um mês. Já o avô mal consegue ver devido às cataratas que já não são operáveis, apesar disso está sempre bem disposto, por ele está sempre tudo bem e toda a equipa do lar gosta dele. Ao contrário da avó após um mês de estadia já dizia: “Se eu soubesse que era assim, já tinha vindo antes!

Esta é a ideia que tenho em mente quando sentir que já não tenho capacidades para tratar de mim, dos meus e da minha casa… Assim eu lá chegue.

Gabriel Lopes

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Tradições Populares

Se há coisa que aprecio são as nossas tradições populares, aquelas que não vêm nos livros, as que uns criticam por serem tradições medievais, as que outros dizem não terem fundamento cientifico, ou até mesmo aquelas que muitos têm vergonha de dizer como nossas enquanto povo.

Gosto dos ditados populares, das rezas à peçonha, do enterro do entrudo, das procissões religiosas, das desfolhadas, dos bailaricos de música popular, do cepo de Natal e Ano Novo, de cantar as Janeiras, da matança do porco, de pisar as uvas no lagar, das cantorias nas noites de Verão…

Tenho saudades de muitos momentos como estes que marcaram a minha infância e juventude e que acredito que traduzem muito daquilo que é a nossa verdadeira essência enquanto povo humilde, crente, trabalhador, solidário e feliz!

Gabriel Lopes

Condução à Portuguesa.

No passado fim de semana resolvi ir à terra ver a família. O que é que isto tem de novidade? Nada! A única coisa diferente foi ter ido de carro em vez de Intercidades como habitualmente. Não fosse a manutenção a decorrer na linha da Beira Alta que implica transbordo para autocarro em Coimbra e outro em Mortágua novamente para o comboio, a opção pelo transporte público teria sido mais uma vez a eleita. Enfim… a verdade é que após 700 km por Estradas Nacionais, IP’s e Auto-Estradas constatei que duas situações:

1. É uma estupidez haver autoestradas com três faixas. Afinal de contas as pessoas não andam na faixa mais à direita, andam na faixa à direita da faixa mais à esquerda. Quando só há duas faixas está tudo bem a faixa mais à direita coincide com a faixa à direita da faixa mais à esquerda, agora quando existem 3 faixas isto não se verifica e acaba tudo por ir na faixa do meio. Resumindo, um autêntico desperdício de dinheiro em terceiras faixas…

2. Abrir uma oficina para substituição de “piscas” deve render, afinal muito poucos são os que funcionam!!! Um investimento relativamente pequeno e com retorno assegurado por altura das inspecções periódicas…

E assim, cá vamos nós andando pra baixo e pra cima neste pequeno rectângulo inclinado para o mar a que chamamos Portugal num estilo muito próprio a que chamo “Condução à Portuguesa“.

Gabriel Lopes

Aguiar da Beira – Reciclagem

 A Reciclagem é um daqueles assuntos que gera um contra-senso inexplicável na sociedade actual. Se por um lado a maioria da população assume conhecer os benefícios da reciclagem, também é certo que a maioria da população continua a ter uma inércia no momento de separar os resíduos que produzem e a coloca-los no local correcto.

E como será que está o concelho de Aguiar da Beira no que toca a este tema?

Em termos de estruturas existem 23 ecopontos espalhados pelas 10 freguesias e um ecocentro na estrada nacional 330. Na tabela seguinte é possível ver a localização e a capacidade de cada uma destas estruturas vocacionadas para a recolha selectiva de Vidro, Papel/Cartão e Embalagens de Plástico/Metal.

Quadro - AGB Reciclagem

Fonte: Planalto Beirão

No que diz respeito à periodicidade da recolha destes resíduos, é efectuada quinzenalmente no caso do Papelão e do Embalão e mensalmente para o Vidrão.

No que toca às estruturas existentes e ao serviço prestado pode dizer-se que é suficiente e adequado às necessidades do concelho, resta saber se a população tem correspondido ao desafio de separar os seus resíduos?

Recorrendo aos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística entre 2002 e 2011 é possível observar a evolução de indicadores como a recolha de resíduos urbanos ou a recolha de resíduos urbanos selectivos referentes ao Município e comprá-los com os valores nacionais. O gráfico seguinte condensa esses dados.

Gráfico - AGB Reciclagem

Fonte: Elaboração Própria com dados provenientes da INE

Analisando a recolha de resíduos indiferenciados é possível retirar algumas ilações:

  1. Evolução da recolha de resíduos indiferenciados:

Entre 2002 e 2011 a recolha de resíduos indiferenciados cresceu 44% em Aguiar da Beira, valor muito acima dos 10% a nível nacional. Apesar da produção anual dos aguiarenses (363Kg/hab em 2011) continuar a ser inferior à média nacional (487Kg/hab em 2011), o ritmo de crescimento desses resíduos é bem mais rápido.

  1. Evolução da recolha de resíduos selectivos:

A recolha selectiva de resíduos cresceu 77% no Município de Aguiar ficando no entanto muito aquém dos 252% a nível nacional. Estamos a separar mais, mas ainda muito longe da média nacional.

  1. Recolha Selectiva vs Recolha Indiferenciada:

Em 2011, cada Aguiarense separava em média 20Kg de resíduos por ano (6,3% dos resíduos indiferenciados que produz) enquanto a média nacional se situava nos 77Kg/ano (15,2% dos resíduos indiferenciados produzidos);

Resumindo, temos estruturas e serviços adequados no entanto não estamos a aproveitá-los como deveríamos. Muito há a fazer neste aspecto para poupar o ambiente, diminuir a pressão sobre a floresta, solos, aquíferos, criar empregos, etc… E aqui só depende de cada um querer fazer parte da solução e tornar Aguiar da Beira numa referência também neste aspecto.

Gabriel Lopes

Aguiar da Beira – Transportes Públicos

Os Transportes Públicos são extremamente importantes nos grandes meios urbanos por questões físicas, (tráfego mais fluído, menos engarrafamentos), ambientais, (redução das emissões de CO2), e económicas (os custos associados à utilização dos Transportes Públicos são consideravelmente inferiores aos do Transporte Individual).

Nos meios rurais, o Transporte Público é ainda visto como pouco expressivo, muitas vezes porque não lhe é dada a devida importância pelo poder local. Mas num tempo em que a desertificação assola o interior do país e as dificuldades económicas conduziram a uma maior concentração de serviços, escolas, unidades de saúde, etc, nas sedes de concelho é importante olhar e pensar os transportes públicos como uma solução para muitas deslocações diárias/esporádicas das populações.

Olhando para realidade actual do concelho de Aguiar da Beira no que diz respeito a esta temática, existe uma pequena rede de transportes públicos constituída por 5 linhas de autocarro que ligam as várias localidades à Escola da Vila, assegurando simultaneamente o transporte escolar e do público em geral.

Para se ter uma noção da cobertura da rede resolvi criar um diagrama de rede com base na informação disponibilizada no sítio de Internet da Câmara Municipal, atribuindo uma cor cada um deles e dando uma nova imagem aos horários.

Diagrama da Rede (2013/2014):

Transportes AGB - 2013-2014

Horários dos Circuitos:

Como se pode constatar, o serviço chega a quase todas as localidades do concelho, no entanto, para além da população estudantil, a população em geral desconhece os percursos, os horários, os tempos de viagem ou os tarifários dos autocarros que servem as suas aldeias. Isto acontece porque o serviço não é divulgado, a informação é escassa e não está articulado com as necessidades das pessoas.

Quando se planeia uma rede de transportes é preciso pensar nas pessoas, conhecer as suas deslocações e criar soluções que vão de encontro às suas necessidades, sem esquecer o transporte escolar.

Falando em concreto da realidade do concelho, existem uma série de medidas que poderiam ser adoptadas para melhorar a abrangência e qualidade do serviço, nomeadamente:

1. Divulgar os serviços existentes nas Juntas de Freguesias, nas paragens de autocarros e até nos sítios de Internet da Escola, Câmara Municipal, Unidade de Saúde, etc. Isto faria com que mais pessoas conhecessem o serviço e pudessem passar a contar com ele como uma alternativa. Uma medida implicaria custos muito reduzidos a implementar;

2. Criar de 2 novas paragens (Centro de Saúde e Centro da Vila onde se encontram os principais serviços municipais e o comércio local) estendendo o percurso das 5 carreiras antes ou após a paragem na escola. Isto permitiria as pessoas irem às compras, ao médico, à escola ou tratar de assuntos pessoais usando o transporte público. A implementação desta medida não implicaria grandes custos uma vez que bastaria prolongar em 1,5 Km os percursos actuais;

3. Criar um horário a meio do dia de modo a permitir uma maior liberdade aos utilizadores possibilitando que estes passem apenas a manhã ou a tarde no destino em vez de ter de passar o dia todo no destino como acontece actualmente. Esta medida melhoraria consideravelmente a qualidade do serviço, no entanto, acarretaria um  investimento consideravelmente maior e dependeria muito da procura existente.

Estas e outras medidas poderiam melhorar muito a qualidade dos transportes públicos em particular e a qualidade de vida das populações do concelho em geral.

Gabriel Lopes

Aguiar da Beira – Democracia Local

A sete semanas das próximas eleições autárquicas e enquanto a campanha eleitoral não entra na recta final, achei interessante consultar o histórico dos resultados autárquicos do Concelho nos últimos 30 anos. Aproveitei para reunir esta informação num ficheiro excel que aqui partilho.

Da análise destes dados foi possível observar algumas curiosidades:

  • A Câmara Municipal foi sempre ganha por partidos de Direita (CDS e PSD);
  • Desde 1997 que o CDS-PP não vence qualquer Junta de Freguesia;
  • Os anos em que o PS ganhou mais Juntas de Freguesia foram 2005 (Cortiçada e Forninhos) e 2009 (Cortiçada e Eirado);
  • Valverde foi a freguesia onde mais vezes se apresentou apenas uma lista à Junta de Freguesia (1982, 1985 e 2009);
  • Valverde é a única freguesia que elegeu sempre candidatos do mesmo partido (PSD);
  • O melhor resultado eleitoral do PCP-PEV foi obtido em 2001 na Freguesia de Gradiz (19,4% dos Votos);
  • Listas Independentes foram eleitas apenas em duas Juntas de Freguesia: Aguiar da Beira e Eirado (2001);
  • A Vitória mais Renhida foi obtida pelo PSD em 1993 na freguesia de Carapito com apenas mais 1 voto que o PS;

No que toca às próximas eleições são de realçar alguns factos que vão apimentar politicamente o Concelho nas próximas semanas tanto na disputa para a Câmara Municipal como para as várias Juntas de Freguesia.

Em primeiro lugar, estas vão ser as primeiras eleições marcadas pela nova lei de limitação de mandatos que impede a recandidatura de vários Presidentes de Junta e do Presidente da Câmara Municipal. Assim, ao nível da Câmara Municipal o principal motivo de interesse é saber quem sucederá ao Presidente cessante (Fernando Andrade) ao fim de 16 anos, Fernando Pires (PPD/PSD) ou Joaquim Bonifácio (Independente). Já ao nível das Juntas de Freguesias uma das principais curiosidades prende-se com o facto destas serem as primeiras eleições autárquicas após a reforma levada a cabo pelo actual governo e que vão eleger pela primeira vez Presidentes de Junta nas freguesias agregadas Aguiar da Beira-Coruche, Sequeiros-Gradiz e Soito-Valverde.

São ingredientes mais que suficientes para uma corrida eleitoral muito disputada e em que a palavra final será dada aos eleitores do concelho no próximo dia 29 de Setembro.

Ficheiro Excel disponível em: https://gabrielfigueiredolopes.wordpress.com/agb-democracia-local.xlsx

Gabriel Lopes

Venha a Conta!

Todos os dias ouço pessoas a queixarem-se da redução das reformas, da mobilidade especial, da nova lei de requalificação, dos cortes nas indemnizações por despedimento, do aumento da idade de reforma para os 66 anos, do aumento do horário de trabalho de 35h/semana para 40h/semana, da perda de poder de compra, etc… Sinceramente percebo os seus protestos, indignação, angústias e o sentimento de injustiça nos sacrifícios pedidos enquanto alguns continuam a usufruir de regalias principescas. Partilho as suas preocupações e estou 100% solidário com todas essas pessoas.

No entanto, estou muito mais preocupado com a minha geração, a geração que menos culpa teve no estado a que o país chegou, a geração que vai pagar a crise, a geração que só quer ter direito a ter um trabalho e que muito provavelmente não vai ter direito reformas, educação e saúde tendencialmente gratuitas, indemnizações por despedimento, subsídios de férias, subsídios de Natal, subsídios de paternidade, que vai trabalhar muito mais do que 40h/semanais, muito além dos 66 anos e sempre com a palavra desemprego a fazer parte das suas vidas muito mais vezes do que seria desejável.

Pertenço à geração dos que vão pagar a conta, sim porque por muito que custe as dívidas são para pagar. O que peço em troca? Justiça, Emprego, Esperança…

Gabriel Lopes

Jovens, O Futuro do Concelho

Para falar do futuro de Aguiar da Beira, temos necessariamente que falar nos seus Jovens.

Se em idades mais precoces os jovens têm ao seu dispor uma oferta educativa de qualidade complementada por uma oferta desportiva e cultural cada vez mais abrangente e diversificada os problemas surgem com o fim do seu percurso escolar e início da sua vida activa.

Penso que os Jovens têm cumprido a sua parte, estudando, formando-se, valorizando-se, no entanto, estas valências adquiridas à custa de muito esforço pessoal e familiar não têm sido acompanhadas de políticas activas de emprego por parte dos agentes políticos.

A ausência de uma política que aposte na fixação de jovens qualificados através da criação/promoção de emprego para estes jovens é a principal lacuna do concelho no que toca a este tema.

Senão vejamos, o concelho tem hoje em dia jovens qualificados nas mais diversas áreas (engenheiros, arquitectos, cozinheiros, farmacêuticos, enfermeiros, psicólogos, jornalistas, professores, economistas, gestores, veterinários, etc) capazes de por todo o seu conhecimento e empenho ao serviço do seu concelho natal mas, o que tem sido feito para os fixar no concelho? O que tem sido feito para potenciar o desenvolvimento do concelho tirando partido desta mão-de-obra qualificada avida de trabalho? O que tem sido feito para promover os jovens empreendedores do concelho? O que tem sido feito para atrair empresas criadoras de emprego qualificado? O que tem sido feito a pensar nos jovens em início de vida activa? Para ser simpático, muito pouco…

A Câmara Municipal, apesar de ser o maior empregador do concelho, tem tido um papel pouco pro-activo na promoção/criação de emprego e na atracção de empresas criadoras de emprego, limitando-se a ser um mero espectador neste cenário de êxodo de jovens qualificados.

Deixo dois exemplos do que algumas autarquias têm feito para estimular a sua economia local:

O município da Sertã tem desde há alguns anos um concurso de ideias de negócio que atribuiu ao projecto vencedor ajuda na implementação desse projecto através da cedência de instalações nos primeiros 3 anos, ajuda na candidatura a fundos do PRODER, apoio técnico e divulgação do projecto e ainda ajuda na elaboração do plano de negócio.

O Fundão conseguiu fixar a Altran, uma multinacional francesa na área da consultoria de inovação e tecnologia, que vai criar até 2015 cerca de 120 postos de trabalho altamente qualificados. A cedência de terrenos, isenção de taxas municipais ou outros incentivos podem ser um factor aliciante na hora de algumas empresas escolherem a sua localização.

Penso que são exemplos como estes que o concelho deve seguir para tentar criar emprego e fixar os seus jovens. Caso contrário o futuro não se avizinha fácil quer para os jovens quer para o concelho, afinal a falta de aposta nos jovens é, a médio/longo prazo, uma falta de aposta no concelho.

Gabriel Lopes

(publicado no Jornal Mais Aguiar da Beira, Abril de 2013)

Incêndios Florestais – Aguiar da Beira

Todos os anos, nos meses de verão, o tema dos incêndios florestais ganha notoriedade no panorama nacional abrindo inúmeros noticiários, ameaçando populações, destruindo bens materiais, fauna e flora, vidas de trabalho e uma das principais riquezas que o país possui, a Floresta.

Infelizmente, o concelho de Aguiar da Beira não tem sido excepção e os dados estatísticos disponíveis sobre esta temática entre 1980 e 2010 comprovam-no.

O gráfico seguinte mostra a evolução da área ardida no concelho no referido período, fazendo a sua discriminação por povoamentos florestais e matos.

Gráfico 1 – Área Ardida no Concelho (hectares)

Fonte: Elaboração Própria com dados provenientes da AFN

No que consiste à área ardida, não é possível observar qualquer tipo de tendência, no entanto, observa-se que 4 dos 5 anos com maior registo de área ardida (mais de 750 ha.) se encontram separados por 7/8 anos (1980, 1987, 1995, 2003). A excepção foi 1998. De destacar que em 2003, arderam mais de 2100 hectares, o que representa cerca de 10,2% da área total do concelho.

Analisando o tipo de área ardida, verifica-se que ao longo dos últimos 30 anos o peso dos povoamentos florestais na área ardida tem vindo a diminuir ao invés do peso da área de mato.

Estes factos indiciam que os terrenos ditos florestais são cada vez mais ocupados por mato e não por floresta e ainda que o ritmo de crescimento dos diferentes tipos de matos atinge a sua maioridade a cada 7/8 anos, fazendo com que o risco de incêndio e a probabilidade da ocorrência de incêndios de grandes dimensões seja maior após este período.

Outro dado estatístico de grande importância diz respeito ao número de incêndios com origem no concelho de Aguiar da Beira. O gráfico seguinte apresenta a evolução deste indicador entre 1980 e 2010.

Gráfico 2 – Número de Ocorrências no Concelho

Fonte: Elaboração Própria com dados provenientes da AFN

Entre 1980 e 1994 verificou-se um crescimento acentuado do número de incêndios, tendo sido registado o valor máximo em 1994, onde foram contabilizados 106 incêndios. Após este período o número de incêndios tem tido vindo a diminuir, tendo em 2010 sido registados 14 ocorrências em todo o concelho.

Como motivo de interesse, as tabelas seguintes apresentam os dados respectivos à área ardida e ao número de ocorrências ao nível da freguesia.

Quadro 1 – Área Ardida por Freguesia (hectares)

Fonte: Autoridade Florestal Nacional

Quadro 2 – Número de Ocorrências por Freguesia

Fonte: Autoridade Florestal Nacional

Este ano, os primeiros meses foram especialmente atípicos com temperaturas elevadas e níveis de precipitação muito reduzidos mergulhando grande parte do território nacional num nível de seca severa e extrema. Estes acontecimentos potenciaram a ignição de 9 168 ocorrências que devastaram cerca de 29 mil hectares apenas nos 3 primeiros meses do ano. Os últimos dados disponibilizados pela Autoridade Florestal Nacional apontam para um total de 10 737 ocorrências e aproximadamente 34 mil hectares ardidos entre dia 1 de Janeiro e 15 de Junho.

Gabriel Lopes

(publicado no Jornal Mais Aguiar da Beira, Julho de 2012)

Reforma Administrativa – Aguiar da Beira

Reforma Administrativa – Aguiar da Beira

A reforma administrativa foi um dos pontos que faz parte do acordo de entendimento assinado no passado mês de Maio de 2011 entre o Governo Português e a Troika (Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu). Esta reforma visa reduzir o número de freguesias das actuais 4.259 para cerca de metade.

No sentido de cumprir o prazo estabelecido para esta reforma administrativa (Junho de 2012), o Governo elaborou o Documento Verde da Reforma da Administrativa Local onde constam as linhas orientadoras a cumprir neste processo.

O Município de Aguiar da Beira terá também ele de se adaptar a estas novas regras e reformular a sua divisão administrativa ao nível das freguesias. São essas alterações que foco neste artigo.

Actualmente o Município de Aguiar da Beira é composto por 13 Freguesias numa área total de 206,9 km2. Entre 2001 e 2011 sofreu uma perda de população de 11.6%, passando dos 6.247 residentes para os 5.521, sendo a sua densidade populacional de 27 hab/km2.

De seguida pode ver-se a organização actual das 13 freguesias bem como a respectiva população residente:

De acordo com o Documento Verde o Concelho de Aguiar da Beira encontra-se no Nível 3 por ter uma densidade populacional inferior a 100 hab/km2. Estes requisitos encontram-se definidos na tabela seguinte:

 De Acordo com o 1º critério o conselho de Aguiar da Beira terá apenas uma freguesia sede de Município pois tem uma densidade populacional em 2011 de 27 hab/km2. Esta situação já se verifica pelo que neste ponto não haverá nenhuma mudança.

No 2º critério as freguesias de área maioritariamente urbana (AMU) deverão garantir um mínimo de 1.000 habitantes. A Freguesia de Aguiar da Beira é a única classificada como AMU e cumpre este requisito uma vez que em 2011 registava 1.475 habitantes. As restantes freguesias classificam-se como de área predominantemente rural (APR) pelo que deverão garantir um mínimo de 500 habitantes. Seguindo este critério apenas Penaverde (815 habitantes) e Dornelas (692 habitantes) garantiam a sua permanência como freguesia.

No entanto, dado que o município sofreu uma perda populacional superior a 10% entre 2001 e 2011, aplica-se o regime de coesão em que o mínimo exigido é de 300 habitantes nas freguesias APR. Por este regime Carapito (436 habitantes) e Cortiçada (339 habitantes) garantem também a sua permanência como freguesia.

Por último, existe ainda um 2º ponto no regime de coesão que salvaguarda a permanência de freguesias APR com um mínimo de 150 habitantes desde que estas estejam localizadas num raio superior a 15 quilómetros da sede de concelho. Este critério não se aplica a nenhuma das freguesias do conselho pelo que não será aplicado no caso de Aguiar da Beira.

Resumindo, Aguiar da Beira, Penaverde, Dornelas, Carapito e Cortiçada cumprem os requisitos apresentados no Documento Verde da Reforma da Administração Local. As restantes freguesias deverão ser reagrupadas entre si ou agregadas a outras que cumpriram os requisitos mínimos exigidos por esta reforma.

Tendo em conta a aplicação dos critérios referidos, a disposição geográfica das freguesias e respectiva população emerge uma vasta lista de cenários possíveis para o novo mapa de freguesias do concelho, no entanto os mais plausíveis parecem ser os seguintes:

Da análise destas 4 soluções podemos retirar algumas conclusões:

  • Forninhos será seguramente agregado a Dornelas;
  • Penaverde permanecerá intacta;
  • Carapito permanecerá inalterada ou poderá contar com a agregação do Eirado;
  • Pinheiro pela sua localização geográfica será agregado a Aguiar da Beira ou à Cortiçada;
  • Gradiz pela sua localização e população será muito provavelmente integrado em Aguiar da Beira.
  • O número final de freguesias do concelho deverá passar de 13 para 6.

As grandes questões levantam-se na zona central do Concelho com várias possibilidades. Surge assim a necessidade dum debate atempado e alargado a todos os cidadãos. A solução final poderá não agradar a todos mas será seguramente tanto melhor quanto maior for a participação de todos.

Gabriel Lopes

Primeiros Resultados dos Censos 2011 – Aguiar da Beira

Primeiros Resultados dos Censos 2011 – Aguiar da Beira

Os primeiros resultados dos Censos 2011 foram publicados recentemente, revelando-se interessante analisar os dados já disponíveis para o concelho de Aguiar da Beira para 2011, comparando-os com os de 2001.

População Residente

Portugal tem actualmente (data de realização dos censos) 10.555.853 residentes, um crescimento de 1,9% face a 2001 e que representou um aumento da população residente na ordem dos 200 000 novos habitantes.

A realidade em Aguiar da Beira foi no entanto bem diferente, passando o concelho de 6.247 residentes em 2001 para 5.521 residentes em 2011. Uma perda de 726 habitantes que se traduziu numa diminuição significativa de 11,6% da população nos últimos 10 anos.

Ao nível das freguesias é de salientar que apenas Aguiar da Beira e o Eirado mantiveram sensivelmente o mesmo número de habitantes perdendo apenas 3 e 4 habitantes, respectivamente. As restantes freguesias perderam mais de 10% dos seus habitantes tendo sido Penaverde a mais penalizada em número (menos 165 habitantes) e Coruche (menos 25,5%) a mais penalizada percenualmente.

Famílias

Em Portugal o número de famílias entre 2001 e 2011 aumentou 4,0%, fixando-se em 2011 nas 4.079.577 famílias. A dimensão média da família portuguesa fixou-se nos 2,6 habitantes por família.

No concelho de Aguiar da Beira houve uma redução de 2,3% do número de famílias passando das 2.253 famílias em 2001 para as 2.127 famílias em 2011. De frisar que a dimensão média da família no concelho acompanhou a tendência nacional e passou de 2,8 habitantes por família para os 2,6 habitantes por família.

Ao nível de freguesias é de realçar que apenas Aguiar da Beira, Dornelas e Sequeiros viram o número de famílias aumentar entre 2001 e 2011. No que diz respeito à dimensão média da família apenas o Eirado viu esse número aumentar de 2,6 para 2,9 pessoas por família.

Alojamentos e Edifícios

O número de alojamentos e de edifícios no concelho de Aguiar da Beira é sensivelmente o mesmo, o que traduz a realidade da nossa região onde a habitação é essencialmente individual. A prova-lo esta o facto de em todas as freguesias do concelho poucos são os edifícios com mais de um alojamento, excepção feita à freguesia sede de concelho onde existe alguma construção em altura fazendo com que a média suba para os 1,2 alojamentos por edifício. Assim, a evolução do número de alojamentos e de edifícios é em tudo semelhante, pelo que se analisa apenas a evolução do número de alojamentos.

O concelho viu o número de alojamentos aumentar dos 4.341 em 2001 para os 4.904 em 2011, um incremento de 563 alojamentos que se traduziu num crescimento de 13,0%. Um acréscimo considerável que ainda assim ficou abaixo da média nacional de 16,3%.

Ao nível das freguesias verificou-se um crescimento do número de alojamentos em todas as freguesias com excepção de Coruche (menos 30) e do Eirado(menos 11). Os maiores crescimentos registaram-se em Dornelas (mais 126) e Aguiar da Beira ( mais 107), sendo os maiores crescimentos percentuais registados em Valverde (mais 30,7%) e Dornelas (mais 27,9%).

Por fim, é de referir que o número médio de habitantes por alojamento é inferior a 1,0 habitante por alojamento em 5 das 13 freguesias. Um facto que traduz o elevado número de alojamentos “vazios” devido à emigração e ao êxodo rural. Nas restantes freguesias do concelho o número de habitantes por alojamento é pouco superior 1,0, ficando aquém da média nacional de 1,8 habitantes por alojamento. Este facto pode justificar-se com o elevado número de viúvos que vivem sozinhos.

Gabriel Lopes

(publicado no Jornal Mais Aguiar da Beira, Agosto de 2011)